December 2010
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felicidade
tem a velocidade da luz” —Alexandre Bríto
Li dois livros do Jon Krakauer em duas semanas. Li não, devorei na medida em que conseguia tempo de ficar concentrada e sozinha pra curtir os relatos de experiências de aventuras e observações no limiar da razão e emoção. Claro que os títulos que li são de inteiro interesse pra mim que adoro uma montanha, mas o cara é elogiado internacionalmente pela escrita e não é à toa.
Comecei lendo Sobre Homens e Montanhas, de 1999, que faz um paralelo entre análises psicológicas das pessoas que participaram de expedições às montanhas e a história do montanhismo em si. Relatos dramáticos, descrições de paisagens estonteantes, atos de coragem, atos egocêntricos, busca da fama, pessoas perdidas na vida e malucos despreparados enfrentando a fúria da natureza de certa forma, até ingênuamente, a ponto de destruirem seus corpos… de tudo um pouco se encontra nessas 214 páginas de pura aventura. Mostra até a frieza com que as pessoas se tratam rumo ao cume, a tragédia que é uma pessoa despreparada se meter numa dessas achando que o dinheiro paga tudo. Me encantei. Se alguém quer ter uma noção das emoções ou ambições que faz alguém ir pro alpinismo, taí o livro certo pra ler. Pra mim, o que ficou foi uma autoavaliação do que me leva a fazer trekking nas montanhas e se não coloco minha saúde em risco, testar os limites e conhecer a natureza é excelente, mas quanto ao alpinismo mesmo, eu passo.
Fui em busca de outro, No Ar Rarefeito, de 1996, que relata a tragédia presenciada pelo autor numa expedição comercial, feita no mesmo ano de lançamento do livro, -nos EUA, aqui só lançaram 1997- ao escalar o Everest. Livro pesadíssimo e encantador ao mesmo tempo. Tive bem uns três pesadelos ao longo da leitura dos relatos da escalada fadada a morte de muita gente. Drama poderoso ao se pensar nas limitações emocionais e físicas de um grupo em meio a outros em situação totalmente fora de controle. Sensacional a maneira como são contados os fatos, única ressalva é quanto, a uma hora o autor chamar a pessoa pelo primeiro nome, e depois pelo sobrenome, numa mistura que, na minha cabeça confusa, eu tinha de dar umas conferidas pra lembrar quem era quem.
Durante a leitura eu vi uns todos casos na internet de gente que tentou o Everest e não deu certo, várias mortes, edemas pulmonares e cerebrais… fiquei pensando que deve haver um cemitério em volta da montanha com restos de equipamentos por toda parte… mas, segundo as expedições comerciais, estão tentando cuidar pra que a situação não piore. Durante essa semana, duas notícias me surpreenderam, uma de que a neve do Everest está contaminada por metais pesados pela poluição do ar -os caras derretem a neve pra beber água quando estão escalando a montanha, então vão se contaminar também…- e a outra, de uma líder de expedição e que estaria doando os valores arrecadados na empreitada, mas que teve de desistir por estar com edema pulmonar devido a grande altura…
Após terminar esse livro da tragédia, o que mais se destaca, é o respeito aos limites físicos humanos e nunca se sobrepor à natureza. Os fenômenos da natureza estão, e sempre estiveram acontecendo, basicamente do mesmo jeito, quem tem humildade de dar meia volta quando a situação está duvidosa, sobrevive. Quem crê na sorte, às vezes sobrevive. Não poucas vezes é morto pela arrogância ou prepotência.